03.18.2021

Cinco oportunidades para a mídia e o entretenimento

Nota: A Verizon Media agora é Yahoo.

TV

2020 foi um ano que impulsionou ainda mais a indústria de mídia e entretenimento, as experiências digitais e a produção de conteúdo imersivo foram fatores que contribuíram para investimentos em marketing e mídia focados em canais digitais. Porém, manter a atenção do público e a monetização da publicidade digital por meio de dados, ainda é um grande desafio. E os números mostram bastante essa realidade: a estimativa da consultoria PwC é que o crescimento do setor de mídia e tecnologia cresça em média, uma taxa anual de 2,8% até 2024.

1. Quem são os novos players do mercado de mídia?
Com mais marcas, varejo, indústrias e o consumidor que atua tanto na produção quanto no consumo de mídia digital, o mercado de publicidade digital dá lugar a novos players. O aumento de custo no licenciamento de conteúdo e direitos de transmissão para grandes eventos (especialmente esportes) levaram empresas que inicialmente se concentraram em distribuição — como Netflix, Amazon e Apple — para investirem no próprio conteúdo de mídia, aumentando a concorrência entre os serviços de streaming e a mídia tradicional.

De acordo com a Bloomberg Intelligence Dados, em 2020 a Netflix investiu US$ 16 bilhões em conteúdo próprio; a Amazon Prime Video, US $ 7 bilhões; a Hulu, US$ 3 bilhões; a Disney Plus, entre US$ 1,5 e US$ 1,75 bilhão; e a HBO Max, entre US$ 1,2 e US$ 1,5 bilhão. No Brasil, o Grupo Globo anunciou um investimento de R$ 1 bilhão na Globoplay.

Para confrontar os gigantes digitais como Google e Facebook, muitas empresas de tecnologia e telecomunicações estão fazendo aquisições de empresas de mídia. Entre as mais recentes, estão a Comcast, após sua fusão com a NBC Universal que adquiriu a Skyna Europa, por US $39 bilhões; e a Disney (dona da Hulu) comprou a Fox divisão de entretenimento por US $ 71 bilhões.

2. O combate às fake news
Outro grande desafio para o segmento de mídia, principalmente para as organizações jornalísticas, é a luta contra a desinformação. O estudo Digital News Report 2020 mostra que cerca de metade dos entrevistados (56%) dizem que estão preocupados com o que é falso ou verdadeiro na Internet quando se trata de notícias. No Brasil, a porcentagem é ainda maior: 84%. Por aqui, os aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, são apontados como os principais espaços para espalhar notícias falsas.

A Covid-19 impulsionou a digitalização de experiências, o consumo de notícias online também aumentou, segundo uma pesquisa da Provokers, encomendada pela Luminate, organização filantrópica global, 65% dos leitores de veículos digitais no Brasil aumentaram o consumo de notícias.

Este cenário fez com que mais pessoas confiassem em veículos duas vezes mais do que nas redes sociais, de acordo com o Digital News Report 2020. Com a recente valorização da mídia, o volume de assinaturas digitais e outras formas de monetização, como micropagamentos e parcerias com e-commerce devem crescer.

2020 também foi um ano em que muitas marcas entraram e se consolidaram no mercado digital e, consequentemente, aumentaram seus investimentos de mídia programática. Neste contexto, o conceito de “Brand Safety” se popularizou. Em tradução livre, a “segurança da marca” significa que as campanhas digitais sejam entregues para os usuários em sites confiáveis, seguros e relacionados aos públicos-alvo certos dentro de um contexto adequado. Desta forma, é possível evitar anúncios em sistemas fraudulentos de publicidade digital, relacionados, por exemplo, a pornografia, jogos de azar e discurso de ódio.

Outra tendência é investir em iniciativas que fortaleçam o engajamento e lealdade de públicos online, como podcasts e transmissões ao vivo, o Spotify, por exemplo, teve um aumento de 27% de assinantes em 2020, em comparação com 2019 e teve crescimento de receita de 17% na comparação anual.

3. Marketing e tecnologia: lado a lado para a sobrevivência
Compreender dados dos consumidores, investir em análise de clientes e trabalhar em conjunto com as outras áreas são caminhos para a sobrevivência das empresas de mídia. Dados da Pesquisa Digital AdSpend 2019 em parceria com o Interactive Advertising Bureau (IAB) Brasil mostram que 33% dos investimentos em mídia no país são no digital.

O percentual aqui é inferior ao dos EUA (39%) e do Reino Unido (52%), portanto há uma grande oportunidade no campo digital no país. Os números também indicam que, quando olhamos especificamente para ambientes sociais, o vídeo já responde por praticamente metade dos investimentos.

4. A aceleração da conectividade com o 5G
Na pandemia, objetos conectados e inteligentes ganharam espaço nas casas de consumidores como também na interface de comunicação de empresas do varejo. Atualmente, o Instituto Futuro Hoje indica que o mercado global de IoT representa US $ 1,9 trilhão.

Na era das conexões ultra rápidas, a disponibilidade de massas de dados em dispositivos móveis permitirá que consumidores acessem cada vez mais conteúdo e serviços. As oportunidades de monetização que o 5G fornecerá vão incluir todos os tipos de negócios, como jogos, música e vídeos OTT (over the top).

Além disso, a tecnologia móvel de 5ª. geração reduzirá o custo do celular e operações de dados, removendo assim um dos maiores obstáculos para atividades como assistir a vídeos pelo telefone celular, jogando jogos online e usando realidade virtual e aumentada.

5. Conteúdo mais imersivo
Realidade virtual (VR) e realidade aumentada (AR) devem ganhar escala, principalmente no cinema e na indústria de games. A parceria entre Niantic e Punchdrunk (anunciado em julho de 2020) marca o encontro dos dois segmentos. Criador de Pokémon Go, a desenvolvedora de jogos Niantic fez parceria com a companhia de teatro Punchdrunk, pioneira em imersão em experiências teatrais. A parceria, segundo as duas empresas, vai reinventar narrativas para o público do século 21. Em outra frente, a Apple anunciou que incluirá realidade aumentada no Apple TV Plus no próximo ano e em 2022 vai lançar um fone de ouvido que combina VR e AR para jogos e reuniões virtuais.

A velocidade de transmissão e baixa latência fornecida por 5G criará mais oportunidades para novos negócios modelos na indústria de mídia e entretenimento, com base em formas colaborativas e inovadoras de usar o Big Data.